Na maior parte das organizações os profissionais gastam uma grande, se não a maior parte do tempo, resolvendo problemas que pipocam constantemente, ou como dizem, “apagando incêndios”.
Sabemos que é uma lei universal e física também, que toda ação tem uma reação em igual proporção, então tudo o que vivemos é consequência de algo e a causa de algo posterior.
Mas tudo isso me inquieta muito, primeiro porque quando olho para os problemas, vejo sintomas. Pra mim, os sintomas são manifestações superficiais de uma causa mais profunda, não necessariamente aparente.
Mas quando cuidamos deles, temporariamente desaparecem e nos aliviam, como quando tomamos um comprimido para dor de cabeça.
Mas logo ele ressurgirá, de formas ou em áreas diferentes, de repente, uma dor de estomago, para lembrar que as causas permacem não vistas e atuantes e que quando menos esperamos estouram!
Algo pequeno se torna uma grande tempestade sistêmica.
Uma reflexão que faço é: Porque paramos de refletir sobre as coisas que vivemos, sobre os problemas que enfrentamos? Será que tratar dos sintomas muitas vezes não nos acomoda?
Percebo que majoritariamente buscamos facilidades e confortos, e que buscar um remédio é muito mais fácil que mudar um hábito.
Mas vejo também, apesar de ainda raro, algumas pessoas e organizações com processos e práticas para buscar e resolver a causa dos problemas. Vejo pessoas se perguntando de onde vêm esses “incêndios”, que função eles têm dentro da organização e o que está por detrás deles?
Mas fico me perguntando. Porque tanto problema? Sintomas, causas, raízes, incêncios... ele está sempre presente.Há algum tempo entrei em contato com uma pesquisa realizada por David Cooperrider, que desencadeou numa metodologia, que hoje faz parte do meu trabalho e também da vida cotidiana, que se chama Investigação Apreciativa.
Ele experimentou e descobriu que quando focamos nos sucessos, surgiam momentos de cooperação e inovação nunca antes observados.
Isso me deixou intrigada e resolvi experimentar. Minhas reflexões e aprendizados foram os seguintes.
Porque passamos tanto tempo pensando, falando sobre ou tentando resolver problemas?
Parece que existe um padrão cultural aprendido, de lamentação, foco nos problemas, nos erros.
Nos sentimos cada vez piores, mais incompetentes, mas desgastados e geramos mais problemas, pois tudo o que pensamos, falamos e sentimos, CRIAMOS!
Assim, dos aprendizados, o mais gostoso é que quando deslocamos nosso foco de percepção um pouco para a esquerda e enxergamos os sucessos, os talentos, as melhores práticas, os melhores momentos, os aprendizados, geramos um mundo de idéias, iniciativas e soluções, em ambientes melhores, mais alegres e cooperativos.
Porque será que nosso paradigma ainda nos leva para o problemas e erros e não para as forças e talentos que temos e queremos construir juntos?
Onde estamos investindo nossa energia e tempo, tão preciosos. Será só uma questão de foco?
Ainda fico me perguntando. E te pergunto, Porquê?
Narjara Thamiz



