quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Uma empresa em rede inova mais

Recebi essa notícia através de um querido amigo... Algarra e achei bem interessante. E um artigo da época negócios publicado em 06/07/2009 e escrito por Rafael Barifouse.

O gigantismo da IBM já foi visto como um problema. Hoje, a companhia usa ferramentas de colaboração para aproveitar o potencial de seus 400 mil funcionários no mundo

O mês de junho pode ser considerado histórico na IBM Brasil. A empresa consagrou seus três primeiros inventores masters, reconhecimento pela autoria de um número relevante de patentes. Ao todo, 30 ideias já foram registradas por brasileiros desde a criação, há três anos, do programa que estimula todos os funcionários a pensar inovações. Parece pouco no universo de 4 mil patentes anuais da multinacional, mas é um avanço, diante das três descobertas registradas no Brasil nos 90 anos anteriores de trajetória da empresa no país. “O brasileiro é criativo, mas não registra suas ideias”, diz José Carlos Duarte, diretor de tecnologia da IBM Brasil. “O que ocorreu agora foi uma mudança importante. Trouxe valor para a companhia e o indivíduo.”

O programa é parte de um conjunto de ferramentas colaborativas que a IBM desenvolve desde o início da década. O portal DeveloperWorks abre a possibilidade de qualquer pessoa ajudar no desenvolvimento de softwares da empresa. O fórum ThinkPlace reúne sugestões de funcionários para aprimorar práticas e produtos. Aquelas com potencial para novos negócios são desenvolvidas pelo BizTech. Existe ainda uma aposta forte em comunidades online, para reunir funcionários, cientistas e executivos. Tudo para gerar conhecimento dentro da companhia.

Essas ferramentas refletem a mudança da IBM em pesquisa. Até os anos 90, a regra para fomentar a inovação era abrir o maior número possível de laboratórios. Existem hoje oito centros de pesquisa, em seis países, com mais de 5 mil pesquisadores. Em um mundo interconectado, isso perdeu um pouco o sentido. É melhor – e mais barato – apostar em parcerias e aproveitar o potencial dos 420 mil funcionários espalhados pelos 172 países onde a empresa opera. As ideias patenteadas também são licenciadas, o que pode render US$ 2 bilhões por ano à IBM. “Inovação é algo latente, mas é preciso acender a chama”, diz Ricardo Pelegrini, presidente da IBM Brasil.

Um dos programas mais tradicionais para incentivar a criatividade na empresa é o InnovationJam, que reúne, a cada ano, funcionários, clientes e especialistas para um debate online de 72 horas. Começou como um teste, em 2001, e já ajudou a redefinir os valores da empresa em 2003, a achar formas de praticá-los em 2004 e a definir dez novas linhas de pesquisa. Em 2008, discutiu-se no InnovationJam a empresa do futuro. O Brasil foi um dos mais ativos no fórum online. Participaram das discussões o CEO mundial, Sam Palmisano, e Pelegrini, que sugeriu aos colegas a indicação dos países emergentes como pilotos de programas globais.

Outra iniciativa com bons resultados é o Global Innovation Outlook. A série anual de debates já reuniu 600 especialistas em torno de temas como segurança e saúde. Os assuntos parecem distantes do DNA de tecnologia da IBM, mas também geram negócios. Quatro anos depois de discutir trânsito urbano, por exemplo, a área de tecnologia da IBM foi contratada para gerenciar ruas na Suécia e na Inglaterra. Como se vê, o acesso rápido e amplo à informação rende mais do que conhecimento. Rende bilhões em receitas.

Parece-me cada vez mais que o caminho do futuro é o caminho da organização em rede, não só externamente - com fornecedores, clientes, parceiros, mas também, internamente... de uma estrutura hierarquica, para cada vez mais uma estrutura em rede.

E como ficam os egos, o poder e o controle nessa estrutura??? Será que estamos prontos pra abrir mão disso e viver o novo, compartilhando e co-criando??

Narjara Thamiz

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